Volumen 20, Número 41 (Octubre, 2027) Estratégias pedagógicas para o ensino do património cultural em contextos educativos
Call for Papers - Volumen 20, Número 41 (Octubre, 2027)
Estratégias pedagógicas para o ensino do património cultural em contextos educativos
Numa abordagem etimológica, o termo «património» remete para uma herança recebida dos pais (pater-monium) e que contém uma aspiração à permanência de certos elementos aos quais se atribui um valor. Num contexto social, remete para um conjunto de bens, no seu sentido mais amplo, recebidos de gerações anteriores que devem ser constantemente atualizados para, numa operação de memória e esquecimento, permitir desencadear processos constituintes de uma identidade coletiva. Neste ponto, convém considerar a sua dimensão simbólica, que é precisamente a que vai construindo as diversas camadas de sentido que permitem interpretar o património como um «dispositivo de memória».
Na conjuntura atual, tal como afirmava Zygmunt Bauman[1], o processo de aprender e o processo de esquecer não têm a menor oportunidade de escapar à «tirania do momento», que procura aprendizagens rápidas e esquecimentos velozes. As novas conceções do aqui e agora provocam uma dissolução do tempo numa série de «novos começos» díspares e aparentes. Nesse mesmo sentido, Marc Auge[2] discorre sobre o modo de funcionamento de um certo número de imagens e define as memórias e os vestígios como o produto de uma erosão provocada pelo esquecimento, produzindo assim uma tensão que orbita entre a interpretação do passado e as expectativas do futuro. O autor, dissecando as direções do tempo, aponta «três formas de esquecimento»: o regresso, o suspense e o início, cada uma associada à pretensão de recuperar o passado, o presente ou o futuro, respetivamente.
É neste contexto que devemos situar o debate sobre a aprendizagem do património cultural, que pode muito bem ser considerada como um processo bidirecional que alarga os limites da experiência de vida e que exige uma reinterpretação constante para não cair nem numa catalogação estéril nem na travessia precária sobre o abismo da novidade. Nesta consideração de um tempo tenso, o presente revela-se como um plano de intersecção de vários momentos ou, numa perspetiva borgiana, como um sistema de infinitas bifurcações da experiência humana.
Esta fragilidade está fortemente condicionada pela aprendizagem, uma vez que esta se revela um fator crucial na gestão da memória e na conceção holística da existência. Consequentemente, a transmissão do património cultural deve permitir apresentar leituras críticas e renovadas que se ofereçam como chave para a compreensão das problemáticas atuais, ampliando, por sua vez, o horizonte da experiência de vida. A partir do pensamento antropológico, a aprendizagem tem sido apontada como um elemento distintivo do ser humano. Edwar Hall[3] destacava três características da cultura: não é inata, mas aprendida; as diferentes facetas da cultura estão inter-relacionadas; se se tocar numa cultura num ponto, tudo o resto é afetado; e é partilhada, determinando, de facto, os limites dos diferentes grupos.
Nesta perspetiva, intui-se a necessidade de abordar os estudos patrimoniais e culturais a partir de diversas trajetórias transversais e interdisciplinares, capazes de interligar diferentes campos de forma a que, para além da sua mera objetualidade, se transformem em argumentos que contribuam para a formação de uma consciência histórica. Para tal, a revista Estilos de Aprendizagem convida à apresentação de artigos originais para explorar diversas investigações, estudos e experiências relacionadas com o processo de aprendizagem, a inter-relacionalidade e a sua transmissão no âmbito do património cultural. Através das diversas contribuições, pretende-se lançar um olhar crítico sobre a forma como a sociedade se relaciona com o património e, por conseguinte, de que modo é capaz de configurar os diversos momentos do tempo.
Propõem-se os seguintes eixos temáticos:
- A aprendizagem da história da arte e da arquitetura.
- Considerações críticas sobre o ensino do património no currículo académico.
- Inovações pedagógicas e metodológicas na aprendizagem do património cultural.
- Novas ferramentas e recursos alternativos no ensino do património.
- Estratégias de recuperação de imaginários apagados.
- Interações entre Património, Sociedade e Indústria Cultural.
- Paradigmas do ensino do património literário.
- Influência dos estudos audiovisuais nas transmissões patrimoniais.
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Estratégias e abordagens pedagógicas transdisciplinares.
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Estudos de caso, projetos de investigação, experiências inovadoras.
Os trabalhos devem cumprir as normas de submissão para autores e podem ser redigidos em qualquer uma das línguas aceites pela revista (espanhol, português e inglês)
Prazo para submissão: 30 de maio de 2027
Publicação: outubro de 2027
Editores convidados
Ignacio Grávalos Lacambra, Universidade San Jorge, USJ, Espanha
Patrizia Di Monte, professora e investigadora convidada em várias universidades europeias
Manuel Sánchez García, Universidade Politécnica de Madrid, UPV, Madrid















