Personalização e estilos de aprendizagem com IA: do perfil algorítmico à mediação pedagógica
DOI:
https://doi.org/10.55777/n3ej1r73Palavras-chave:
Inteligencia artificial, Personalizaçao, Estilos de aprendizagem, Perfil algorítmico, Ambientes digitaisResumo
A inteligência artificial (IA) renovou a promessa de personalizar aprendizagens na educação digital e a distância. Contudo, variar conteúdos, inferir um perfil ou produzir feedback rapidamente não constitui, por si, personalização. Este artigo desenvolve uma revisão narrativa crítica, de natureza conceptual, sobre IA e perfis de aprendizagem. Articulam-se contributos sobre personalização, estilos de aprendizagem, educação a distância, analítica da aprendizagem, feedback, autorregulação e comunicação digital. A análise distingue três planos interdependentes: personalização algorítmica, personalização pedagogicamente mediada e leitura ecológica dos modos de aprender. Defende-se que os vestígios digitais devem ser interpretados como evidências provisórias e contextuais da aprendizagem, não como representações definitivas dos estudantes. Nesta perspetiva, os estilos de aprendizagem são compreendidos como repertórios dinâmicos, situados e desenvolvíveis, não como categorias estáveis às quais o ensino deva adaptar-se. Propõe-se a IA como espaço de ensaio para a participação académica, desde que as interações digitais sejam reconduzidas às fontes de informação, aos critérios de validação do conhecimento, à mediação docente e ao diálogo com os pares. A personalização adquire significado educativo quando amplia possibilidades de aprendizagem, diversifica estratégias, mantém as inferências algorítmicas abertas à contestação e articula apoio individualizado com processos de participação, colaboração e construção social do conhecimento.
Downloads
Referências
Alonso, C. M., Gallego, D. J., & Honey, P. (1997). Los estilos de aprendizaje: Procedimientos de diagnóstico y mejora (5.ª ed.). Ediciones Mensajero.
Araújo da Silva, K. K., & Behar, P. A. (2023). Digital competence model for students in distance education: Review and update of a Brazilian proposal. Journal of Learning Styles, 16(32), 5–18. https://doi.org/10.55777/rea.v16i31.5399
Barron, B. (2006). Interest and self-sustained learning as catalysts of development: A learning ecology perspective. Human Development, 49(4), 193–224. https://doi.org/10.1159/000094368
Barros, D. M. V., Bianchi, A. M. Z., Nunes, J. S., & Cavellucci, L. (2010). Estilos de aprendizagem e educação a distância: Algumas perguntas e respostas?! Journal of Learning Styles, 3(5), 135–145. https://doi.org/10.55777/rea.v3i5.907
Barros, D. M. V., & Guerreiro, A. M. (2019). Novos desafios da educação a distância: Programação e uso de chatbots. Revista Espaço Pedagógico, 26(2), 410–431. https://doi.org/10.5335/rep.v26i2.8743
Barros, D. M. V., Nobre, A. M., Chenoll Mora, A., & Valente, P. (2024). Didactic knowledge (DK) eLearning optimizing digital strategies for the continuous pedagogical training of trainers. In H. S. Mamede & A. Santos (Eds.), Creating learning organizations through digital transformation (pp. 224–250). IGI Global. https://doi.org/10.4018/979-8-3693-0556-0.ch011
Barros, D. M. V., Okada, A., & Henriques, S. (2017). Rede de estilos de aprendizagem e EaD: Uma experiência de coaprendizagem. Journal of Learning Styles, 10(19), 236–255. https://doi.org/10.55777/rea.v10i19.1077
Barros, D. M. V., Seabra, F., Goulão, M. de F., Henriques, S., & Cardoso, T. (2017). Estilos de aprendizagem e permanência no ensino superior a distância: Licenciatura em Educação da Universidade Aberta. Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, Extr.(12), 58–63. https://doi.org/10.17979/reipe.2017.0.12.2889
Bernacki, M. L., Greene, M. J., & Lobczowski, N. G. (2021). A systematic review of research on personalized learning: Personalized by whom, to what, how, and for what purpose(s)? Educational Psychology Review, 33(4), 1675–1715. https://doi.org/10.1007/s10648-021-09615-8
Campos, F., Barros, D. M. V., & Goulão, M. de F. (2025). E-atividades e formação de professores: Elaborando propostas no e para o digital. EmRede – Revista de Educação a Distância, 12. https://doi.org/10.53628/emrede.v12i.1126
Campos Ortuño, R., Hernández-Serrano, M.-J., Renés-Arellano, P., & Lena-Acebo, F. J. (2023). Open educational resources adapted to learning styles for teaching digital skills in higher education. Journal of Learning Styles, 16(31), 4–18. https://doi.org/10.55777/rea.v16i31.4602
Carless, D., & Boud, D. (2018). The development of student feedback literacy: Enabling uptake of feedback. Assessment & Evaluation in Higher Education, 43(8), 1315–1325. https://doi.org/10.1080/02602938.2018.1463354
Felder, R. M., & Silverman, L. K. (1988). Learning and teaching styles in engineering education. Engineering Education, 78(7), 674–681.
Garrison, D. R., Anderson, T., & Archer, W. (2000). Critical inquiry in a text-based environment: Computer conferencing in higher education. The Internet and Higher Education, 2(2–3), 87–105. https://doi.org/10.1016/S1096-7516(00)00016-6
Holmes, W., & Tuomi, I. (2022). State of the art and practice in AI in education. European Journal of Education, 57(4), 542–570. https://doi.org/10.1111/ejed.12533
Kirschner, P. A. (2017). Stop propagating the learning styles myth. Computers & Education, 106, 166–171. https://doi.org/10.1016/j.compedu.2016.12.006
Kolb, D. A. (1984). Experiential learning: Experience as the source of learning and development. Prentice Hall.
Newton, P. M. (2015). The learning styles myth is thriving in higher education. Frontiers in Psychology, 6, Article 1908. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2015.01908
Nicol, D. J., & Macfarlane-Dick, D. (2006). Formative assessment and self-regulated learning: A model and seven principles of good feedback practice. Studies in Higher Education, 31(2), 199–218. https://doi.org/10.1080/03075070600572090
Nobre, A., Mouraz, A., Goulão, M. de F., Henriques, S., Barros, D., & Moreira, J. A. (2021). Processos de comunicação digital no sistema educativo português em tempos de pandemia. Práxis Educacional, 17(45), 81–99. https://doi.org/10.22481/praxisedu.v17i45.8331
Nobre, A., & Valente, P. (2025). A internacionalização da educação: (re)pensando a didática das línguas e do plurilinguismo. EmRede – Revista de Educação a Distância, 12. https://doi.org/10.53628/emrede.v12i.1043
Ota, M. A., Araújo Júnior, C. F., & Barros, D. M. V. (2017). Estilos de aprendizagem em ambientes virtuais: Cenários de investigação na educação superior. Educação, Formação & Tecnologias, 10(1), 47–58.
Pardo, A., & Siemens, G. (2014). Ethical and privacy principles for learning analytics. British Journal of Educational Technology, 45(3), 438–450. https://doi.org/10.1111/bjet.12152
Pashler, H., McDaniel, M., Rohrer, D., & Bjork, R. (2008). Learning styles: Concepts and evidence. Psychological Science in the Public Interest, 9(3), 105–119. https://doi.org/10.1111/j.1539-6053.2009.01038.x
Siemens, G. (2013). Learning analytics: The emergence of a discipline. American Behavioral Scientist, 57(10), 1380–1400. https://doi.org/10.1177/0002764213498851
Slade, S., & Prinsloo, P. (2013). Learning analytics: Ethical issues and dilemmas. American Behavioral Scientist, 57(10), 1510–1529. https://doi.org/10.1177/0002764213479366
Snyder, H. (2019). Literature review as a research methodology: An overview and guidelines. Journal of Business Research, 104, 333–339. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2019.07.039
Teixeira, A. M., & Paz, J. (2023). Re-personalizar a aprendizagem da filosofia. Oportunidades e desafios da didática enriquecida pela IA generativa. Cultura, (41–42), 27–50. https://doi.org/10.34619/bthc-ne54
Torraco, R. J. (2005). Writing integrative literature reviews: Guidelines and examples. Human Resource Development Review, 4(3), 356–367. https://doi.org/10.1177/1534484305278283
Valente, P. (2022). e-Learning e formação profissional: Cenários e estratégias didáticas para o ensino de língua inglesa (LE/L2) [Tese de doutoramento, Universidade Aberta e Universidade Nova de Lisboa]. Repositório Aberto. https://hdl.handle.net/10400.2/13171
Valente, P., & Barros, D. M. V. (2026). Didactic strategies for teaching foreign languages in distance vocational training: A global entrepreneurship perspective. In J. Jardim (Ed.), Entrepreneurial education in a global and digital world (pp. 257–268). Springer. https://doi.org/10.1007/978-3-032-17008-8_16
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Revista de Estilos de Aprendizagem

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.
Ao submeter o original, o(s) autor(es) declara(m) ter conhecimento e aceitar, na íntegra, a política de privacidade, bem como os direitos de autor da Revista Estilos de Aprendizagem.
A Revista Estilos de Aprendizaje oferece acesso livre e gratuito ao seu conteúdo, a fim de levar a investigação científica aos seus leitores e à sociedade em geral. Todo o conteúdo digital é de acesso livre e gratuito e é publicado sob uma licença Creative Commons:

A cessão de direitos é feita sob a licença Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 4.0 Internacional (CC-BY-NC-ND 4.0)
The Learning Styles Magazine é uma revista de acesso aberto. A publicação de artigos ou resenhas na Revista não lhe dá direito a qualquer remuneração. Da mesma forma, tanto para os autores como para os leitores, a revista é gratuita Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 4.0 Internacional (CC-BY-NC-ND 4.0).
Com Esta licença permite a reprodução e divulgação do conteúdo da revista para transmissão educativa, social e de conhecimento, sem fins lucrativos e desde que não sejam modificados, citando a origem e a autoria. A licença concedida à Revista Estilos de Aprendizaje permite a cópia e distribuição do conteúdo da revista, desde que a autoria da obra seja reconhecida, especificando correctamente o autor e a entidade editora. A obra não pode ser utilizada para fins comerciais, nem pode ser alterada, transformada ou gerada a partir desta obra. A publicação de artigos ou resenhas na Revista não dá direito a qualquer remuneração.
A Revista Estilos de Aprendizagem convida o autor/autores a aumentar a visibilidade e o âmbito dos seus artigos publicados através da sua redifusão em:
- Espaços Web e redes pessoais, bem como em reuniões e fóruns científicos
- Arquivos institucionais abertos em Universidades, repositórios educacionais e Centros de Investigação
- Redes académicas e científicas (Researchgate, Academia.edu, Plubons, etc.)
Todos estes espaços e publicações devem incluir todos os dados bibliográficos da publicação.














